Hoje trago vos um tipo de viagens que eu adoro, as viagens de carro. É nestas viagens que eu consigo realmente conhecer os locais por onde vou passando! O nome que lhes atribuo: Viagens sem destino... ou seja nunca sabemos onde vamos dormir, ou comer!
Esta teve a duração de 8 dias e foi realizada em Outubro de 2007.
Saida no primeiro dia de Lisboa pelas 7:00 rumo a Valença do Minho. Seguir a costa, e aproveitar para almoçar já do lado espanhol em A Guarda... bons restaurantes a muito bom preço, bom peixe. Seguimos caminho até Baiona, a estrada encostada ao mar é optima e as paisagens valem a fugida á autopista!
Voltamos a entrar na autopista que segue até Santiago de Compostela. Santiago de Compostela desta vez não foi visitado, resolvemos deixar para uma viagem só mesmo a Sntiago devido a quantidade de monumentos e coisas para fazer!
O ideal aqui será sair na para Padrón, 20 km antes de Santiago e apanhar a estrada ( bastante complicada por sinal)que nos leva até a uma localidade de Noia e daqui para a frente seguir sempre junto a costa passando por localidades como Muros, Carnota ou Corcubion até chegarmos ao Cabo Finisterra, o ideal é chegar na altura no por do Sol e junto com as outras dezenas pessoas que até ali se deslocam para ver o magnifico por do sol sentado nas rochas ou dentro dos seus carros.

POR DO SOL FINISTERRA
De Finisterra o ideal é seguir caminho por Cee e Carballo onde se apanha a autopista que nos leva até Ferrol. Aconselha se a comer qualquer coisa na zona de Finisterra uma vez que até Ferrol são cerca de 2 horas de caminho.
Ferrol é uma cidade bastante desenvolvida pelo que arranjar um sitio para dormir é bastante fácil, depois depende da carteira de cada um.
No nosso caso o Hesperia Ferrol um 4 * por cerca de 70 € já com estacionamento a 2 minutos do centro de Ferrol, http://www.hesperia.es/hoteles/Hesperia-Ferrol/#
Aproveitar para descansar, afinal de contas este primeiro dia são cerca de 800 km...
No segundo dia convém sair por volta das 8h/ 9h da manhã e vamos seguir pela costa Norte, em Ferrol comprar mantimentos para almoçar em jeito de piquenique...
Seguimos uma vez mais junto ao mar, seguir em direcção a Valdoviño, Cedeira, Pedra, Cariño e até a Ortigueira, a estrada é um pouco sinuosa pelo que os cuidados devem ser redobrados, de destacar a beleza das enseadas e das terras de pescadores ao longo de toda esta costa. Porto Barqueiro é uma delas, com meia duzia de casas "penduradas" na encosta e lá em baixo o porto onde repousam os barcos dos pescadores. Aproveitar para beber um cafezinho e comprar uns postais, sempre ajudamos os pescadores e eles ficam contentes por levarmos uma recordação da sua terra.

PORTO BARQUEIRO
Voltamos a estrada principal e vamos seguir sempre encostados ao mar, aproveitar a beleza da zona para parar o carro e fazer um piquenique enquanto se ouve o mar agitado que caracteriza esta zona norte. Passamos por Gijon e apanhamos a auto pista que segue para Santander, saimos para Arriondas e seguimos novamente até Cangas de Onis... Cangas de Onis é uma optima localidade para comprar mos Sidra ou recuerdos de toda a zona uma vez que possui uma grande quantidade de lojas.
Seguimos em direcção a Riaño, são cerca de 60 km com centenas de curvas, convém fazermos este percurso durante o dia, é bastante complicado devido a largura da estrada e as constantes curvas, este percurso tem de seu nome Desfiladeiro de los Beyos. É conveniente constante atenção com os animais selvagens que por ali habitam, um encontro "imediato" com uma cabra ou um cavalo selvagem podem ditar o final da viagem.
Em Riaño o alojamento é no Hotel Presa, barato, bastante confortável e com um preço maravilhoso, http://www.hotelpresa.com/, 50 € a noite!
Aproveitar para recuperar forças, foram cerca de 500 Km´s muitos deles sem ser auto pista.
Aproveitar para comer uma boa sopa de peixe e um "filete de ternera" no restaurante do hotel. Depende da época do ano mas a oferta hoteleira e de restauração em Riaño no geral é mínima.

PAISAGEM NA ZONA RIAÑO
Vamos começar o terceiro dia e convém acordar bastante cedo, é provavelmente o dia mais cansativo fisicamente.
Saimos bastante cedo de Riaño, caso queiram alguns "recuerdos" o melhor será mesmo comprar nas bombas de gasolina a saida da localidade.
Vamos até Posada de Valdeon, são cerca de 40 km mais uma vez em estradas com bastantes curvas, Valdeon tem uma ou outra lojinha onde podemos comprar algumas recordações da zona. Começamos a entrar nas estradas de montanha com uma vista espectacular, a 5 km da localidade de Posada de Valdeon no miradouro de Panderruedas a 1450m de altitude temos uma vista para o vale de Valdeon, descemos até Pousada De Valdemon, Aldeia pequena com um supermercado/ loja de recuerdos logo á entrada, os licores de mel com uma erva de nome oruja e o doce de maça são óptimos.
Seguimos até Cain, logo á saída de Pousada De Valdemon da para ter uma ideia do que será o caminho até lá, não são muitos km´s mas é uma estrada ainda mais complicada do que a de Desfiladeiro de los Beyos, subidas que tem de ser feitas em 1ª velocidade dada a sua inclinação, em parte da estrada só passa um carro e mal, enfim uma estrada imprópria para cardíacos. Existem neste percurso vários monumentos como o miradouro del Tombo...Situado a cerca de 830 metros altitude e construído a 10 de Agosto de 1964 José Luis Afonso Coomonte um “Rebeco” no cimo de um monte de pedras é uma homenagem a Julián Delgado Úbeda – Presidente Fundador da Federação Espanhola de Montanhismo e director da revista “Peñalara”.

MIRADOR DEL TOMBO
Continuamos a descer e a estrada aperta cada vez mais havendo inclusive alguns sítios em que se teve de fazer suportes de betão sobre as rochas para se poder alargar a estrada!

ESTRADA DE POSADA DE VALDEON A CAIN
Um dos sítios mais curiosos que aqui estão são sem sombra de duvida o “Chorco de los Lobos”, uma armadilha antiga situada a 650m de altitude para apanhar lobos, funcionava como uma estrutura de madeira colina abaixo que findava num poço onde os lobos caiam.
Chegámos finalmente a Cain, situado mesmo no centro da serra, uma aldeia muito pequena com uma dúzia de casas sendo que são cafés ou lojas com um parque de estacionamento para turistas .
O primeiro café tem parque de estacionamento e a senhora deixa nos deixar ali o carro até que venhamos da caminhada, come se sandes de queijo manchego e de chouriço frito, as sandes são óptimas e tomadas ao sol na esplanada, com aquela vista espectacular sobre a serra e a respirar o ar puro parecem melhores ainda.
Acabámos por ter a mesma opinião, as pessoas que aqui vivem têm concerteza muito melhor qualidade devida (e mais alguns anos também) que os da cidade!
Segue se então a cereja no topo do bolo de toda esta viagem, chama se Senda del Carés este caminho tem cerca de 12 km até ao final, 24 ida e volta. O canal de aguas rápidas que acompanha todo o caminho foi construído entre os anos de 1916 e 1921 pela Companhia Eléctrica de Viesgo. O caminho foi aberto em 1946. A agua dos canais serve apenas para nos refrescarmos pois não há referencias de água potável durante todo o caminho pelo que aconselho-vos a levar água para o percurso.

DESFILADEIRO DEL CARES
Somos logo no inicio brindados com uma lagoa espectacular e começámos realmente a Senda del Cares, vamos por um caminho escavado formando uma gruta e de seguida por um trilho que por vezes não tem mais de um metro/ metro e meio de largura. Somos acompanhados por paredes de pedra, algumas delas com mais de 1000 m de altura e começamos a subir cada vez mais e o rio a ficar lá em baixo, para quem sofre de vertigens é bastante complicado, este caminho não possui qualquer tipo de protecções e uma escorregadela ou um tropeção pode nos atirar para o fundo do desfiladeiro dando-nos um final nada feliz. Ouve-se um ruído ensurdecedor do rio Cares que corre uns metros, e por vezes umas centenas, lá em baixo.

PARTE DO CAMINHO NA ROTA DEL CARES
O caminho de inicio vai tendo algumas irregularidades mas nada de complicado, passa se a primeira ponte, a Ponte de los Rebecos que faz mudar para o outro lado do desfiladeiro. A altura da ponte é bastante considerável mas aparentemente tem uma boa estrutura, continuamos a caminhada, 500 metros mais a frente mais uma ponte, a Ponte de Bolin, ainda mais alta que a outra impondo assim um pouco mais de respeito, não sei a que altura está mas que é bastante alto isso é.

PONTE DE BOLIN
Seguimos caminho e por entre túneis, caminhos apertados, pontes, como a ponte “el de los Papos” a divisão entre Castilla e Leon e Astúrias.
Seguimos por uma zona de túneis e um caminho literalmente escavado na rocha até chegarmos a Culiembro com uma altura de 340 m até lá abaixo ao rio sem uma única protecção.

PARTE DO CAMINHO DA ROTA DEL CARES
Holla!!! Acaba por ser palavra de ordem por entre as pessoas que estão por este lugar. Nota se a simpatia por todas as pessoas que andam por estas pessoas que caminham neste lugar.
Acabámos por só fazer 5 km, faltavam "apenas" 7 para chegar a Poncebos mas voltamos novamente para Cain.

PARTE DO CAMINHO DA ROTA DEL CARES
Para quem não está habituado 10 km (5 km para cada lado) em plena montanha são muitos km´s.
Estes 10 km são cerca de 3 horas de caminho, é preciso ter atenção com a altura em que vamos fazer o percurso, os nevoeiros e o mau tempo são muito complicados em plena montanha... mesmo no verão e normal o nevoeiro matinal. Se possivel avise no local onde passar no café que vai fazer o percurso da Senda del Cares.
Daqui segue se o caminho inverso até Cangas de Onis. Cangas de Onis tem como base de Turismo a Basilica de Covadonga e a Santa Cueva de Covadonga.

BASILICA DE COVADONGA
A Basilica de Covadonga, construida entre 1877 e 1901 em tons de rosa é imponente e magnifica e podemos observar na sua esplanada a estátua de Dom Pelayo ou um pouco mais abaixo o sino com 3 metros de altura. A Santa Cueva de Covadonga é uma pequena igreja escavada dentro de uma gruta, para lá chegarmos apenas temos de subir os 101 degraus que nos levam até lá!

SANTA CUEVA DE COVADONGA
A partir daqui são 14 km até aos famosos lagos de Covadonga situados a 1135 m de altitude, trata se de 3 lagos, o Lago Enol, o Lago Bricial e o Lago Ercina.
Seguimos caminho até Santander, local óptimo para dormir devido a quantidade de hóteis que possui, a escolha aqui foi para o Hostal San Glorio, um 2 estrelas por cerca de 50 €. O Hostal San Glorio mesmo sendo 2 estrelas é óptimo, possui casas de banho com duches de hidromassagem, são espaçosos e o hotel é bastante central.
Cerca do hotel existem vários sitios onde se pode jantar a valores bastante convidativos ou comer umas tapas tão famosas no nosso pais visinho.
Aproveitar para descansar bastante, afinal além dos 10 km a pé pela montanha ainda foram mais cerca de 250 km de carro, parte deles em serra.
Vamos começar o quarto dia, seguimos de Santader para Bilbao, são pouco mais de 100 km. Bilbao a prioridade é visitar o Guggenheim. Em forma de barco com uma área de exposições de 24.000m2, revestido em parte por partes de titanio o Guggenheim é provavelmente um dos museus mais bonitos do mundo. http://www.guggenheim-bilbao.es/
neste link podem ver as exposições permanentes assim como todas as outras que por ali vão passando.

MUSEU GUGGENHEIM
Na zona do museu existe estacionamento e restaurantes acessiveis a todas as bolsas. Saimos de Bilbao em direção a San Sebastian, cerca de 70 km após sair de Bilbao existe uma saida que indica Deba, pequena vila situada a beira mar vale a pena pela maravilhosa praia e paisagens circundantes assim como a boa comida, essencialmente o bom peixe. Sem duvida que vale a pena a visita.

VISTA A CAMINHO DE DEBA
Segue se para San Sebastian (Donostia) onde se pode passear pela Bahia de la Concha, onde está a Praia de Ondarreta, visitar a parte velha, a praia de Zurriola, a plaza de la Constitucion, o edificio de exposições e palacio de congressos Kursaal ou subir ao Monte Igueldo no seu centenário funicular.

FUNICULAR DO MUNDO IGUELDO

VISTA DO MONTE IGUELDO SOBRE SAN SEBASTIAN
Saindo de San Sebastian a próxima paragem será Lourdes em França, deixo já um conselho, ponham gasolina ainda em Espanha uma vez que em França é mais cara. Convém aproveitar e atestar o carro para que depois só atestem em Andorra.
Ao chegar a Lourdes o que mais existem são hoteis e pensões onde ficar, são dezenas e quanto mais longe ficarmos da Basilica mais baratos são os hoteis.
Escolhemos uma á entrada de Lourdes quando se vem da auto-estrada, com vista para a Basilica, o valor rondava os 40 €, não me recordo do nome mas não é dificil arranjar um hotel pelos mesmos valores.

BASILICA DE LOURDES
Em Lourdes existe também dezenas de sitios onde comer a preços acessiveis, basta procurar um pouco e o centro da vila será sem duvida o melhor sitio para o fazer.
Aproveitar para dormir pois foram mais cerca de 450 km e todos km´s destes dias começam a pesar no corpo.
Seguimos para o quinto dia e temos visitar a cidade de Lourdes e o seu comércio religioso, é impressionante a quantidade de lojas que existem vendendo a mesma coisa mas sempre cheio de turistas. Visitar o que faz de Lourdes uma vila tão importante, a Basilica, o forte e a estátua da Virgem de Lourdes.

ESTÁTUA DA VIRGEM DE LOURDES
Preparar para perder uma manhã a ver tudo isto mas sem duvida nenhuma que vale a pena por toda a sua importância e grandeza.
Seguimos em direcção a Andorra passando por Foix onde podemos observar o seu Castelo no topo do monte e passear pelas suas ruas com casas seculares.
Aproveitar para descansar pois daqui para a frente começa a estrada de serra até ao próximo local de pernoita, Andorra la Veille. A entrada em Andorra vindo do lado francês normalmente ocorre sem grandes problemas.

VISTA SOBRE MONTANHA EM PAS DE LA CASA, ANDORRA
Mal passamos a alfandega temos Pas de la Casa. Vale a pena beber um café nos cafés que ladeiam a pista principal, embora em Outubro não haja neve continua a ser uma boa opção. O melhor sitio para estacionar o carro em dias de muita confusão será no centro comercial logo a entrada de Pas de La Casa (como quem vem de França fica do lado direito). Conforme a época do ano atenção ao gelo na estrada, principalmente no caminho entre Pas de La Casa e Andorra la Veille.

ESTRADAS ENTRE PAS DE LA CASA E ANDORRA LA VEILLE
Andorra la Veille é sem duvida a capital das compras, são centenas de lojas que vendem de tudo um pouco, e Outubro é das melhores alturas para comprar, durante a semana existem lojas que fazem saldos e é normal comprarem se camisolas que custam em Lisboa 130 € por cerca de 40 € ou tennis da Nike que custam 100 € por cerca de 25 €. O material de Ski e Snowboard existem na maioria das lojas de desporto e os valores são talvez menos de metade que em Portugal.
Máquinas fotográficas, e material eletronico no seu geral são sempre mais baratos. Tabaco e bebidas alcoólicas também são óptimas compras.
Hotel Escolhido para dormir, o Ibis, já fora de Andorra de la Veille, 82 € duas noites com pequeno- almoço + 11 € por noite do parque de estacionamento.
Aproveitar para dormir um pouco até mais tarde apesar de não ter sido muitos km´s, cerca de 300 km o próximo dia pode ser cansativo, depende da vontade com que se vai para as compras.

VISTA SOBRE ANDORRA LA VIELLE
Sexto dia, aproveitar para fazer as compras do ano inteiro, perfumes, roupa, material de neve, tabaco, bebidas alcoólicas, material electrónico, telemóveis, relógios, tudo a preços bastante apeteciveis mas cuidado com os exageros, mais de 2 maços de tabaco, mais de 2 dois litros de alcoól ou mais de 600 € em compras podem não passar na alfandega e ter de pagar uma taxa nada moderada. O ideal? Equipamento electrónico deixem as caixas em Andorra, mas tragam as instrucções e as garantias. Tabaco, fumem 4 de cada maço e por ai.
Aproveitar para atestar o carro, geralmente o gasóleo e a gasolina são bem mais baratos que em Espanha. Para as refeições têm em frente ao Macdonalds da estrada que sobe para Pas de la Casa um restaurante bastante bom com pratos combinados, come se por cerca de 7 a 10 € por pessoa, depende do que comerem.
Existem em Andorra la Veille vários cafés e restaurantes e casas de fast- food para comerem.
Aproveitar para dormir cedo pois o dia seguinte vão ser muito km´s de seguida e claro muitas horas de carro.
Sétimo dia, saida de Andorra da parte da manhã em diercção a Lisboa, embora sejam muitos Km´s a maioria são em auto pista, atenção aos radares nas auto estradas espanholas...
Aconselho várias paragens pelo caminho afinal são 1250 km de viagem de seguida.
No total são mais de 3500 km em uma semana mas que sem dúvida nenhuma valem a pena o esforço.
Boa Viagem!!





















